sábado, 10 de novembro de 2007

Filosofia Moral: Ética e Moral

Parte I - Escrita em 10/11/2007

A Filosofia Moral distingue entre ética e moral. Ética tem a ver com o "bom": é o conjunto de valores que apontam qual é a vida boa na concepção de um indivíduo ou de uma comunidade. Moral tem a ver com o "justo": é o conjunto de regras que fixam condições eqüitativas de convivência com respeito e liberdade. Éticas cada qual tem e vive de acordo com a sua; moral é o que torna possível que as diversas éticas convivam entre si sem se violarem ou se sobreporem umas às outras. Por isso mesmo, a moral prevalece sobre a ética.

No terreno da ética estão as noções de felicidade, de caráter e de virtudes. As decisões de qual propósito dá sentido à minha vida, que tipo de pessoa eu sou e quero vir a ser e qual a melhor maneira de confrontar situações de medo, de excassez, de solidão, de arrependimento etc. são todas decisões éticas.

No terreno da moral estão as noções de justiça, ação, intenção, responsabilidade, respeito, limites, dever e punição. A moral tem tudo a ver com a questão do exercício do direito de um até os limites que não violem os direitos do outro.

As duas coisas, claro, são indispensáveis. Sem moral, a convivência é impossível. Sem ética, é infeliz e lamentável. Diz-se que quem age moralmente (por exemplo, não mentindo, não roubando, não matando etc.) faz o mínimo e não tem mérito, mas quem não age moralmente deixa de fazer o mínimo e tem culpa (por isso pode ser punido). Por outro lado, quem age eticamente (sendo generoso, corajoso, perseverante etc.) faz o máximo e tem mérito, mas quem não age eticamente apenas faz menos que o máximo e deixa de ter mérito, mas sem ter culpa (por isso não pode ser punido, mas, no máximo, lamentado).

Parte II - Escrita em 28/09/2010


A postagem "Filosofia Moral: Ética e Moral", que publiquei em 10 de novembro de 2007, se tornou ao longo do tempo a postagem mais comentada e visualizada dos 5 anos de meu blog, tendo até o momento 38 comentários e mais de 9.000 visualizações. Em homenagem a essa marca, que sem dúvida me surpreende e naturalmente me deixa muito contente, decidi publicar uma segunda postagem, que ao mesmo tempo prossegue, complementa e aperfeiçoa aquela primeira. Principalmente para aqueles que procuram aquela minha postagem atrás de leitura introdutória para suas pesquisas penso que esta postagem complementar será muito útil. Organizarei a postagem em tópicos, de modo a facilitar a apreensão de seu conteúdo.

1) Origem dos termos "ética" e "moral"

Ética vem do grego "éthos" e moral, do latim "mos". Tanto "ethos" quanto "mos" significam a mesma coisa: hábito, costume. Quando os filósofos gregos quiseram cunhar um nome para a parte da filosofia que se ocupa com as ações cotidianas do indivíduo, criaram a expressão "ethiké epistéme", que significava "ciência dos costumes" ou, como ficou conhecida, "ciência ética", ou simplesmente "ética". Já quando os filósofos romanos, que eram atentos leitores dos gregos, quiseram traduzir para o latim a expressão "ethiké epistéme", tentaram encontrar um equivalente em sua língua e cunharam "scientia moralis", que significava "ciência dos costumes" ou, como ficou conhecida, "ciência moral", ou simplesmente "moral". Assim, qualquer diferença que se possa encontrar entre "ética" e "moral" não advém do significado original dos dois termos, pois estes, em sua origem, eram apenas a tradução um do outro.

Há também uma versão segundo a qual "ética" não teria sua origem no grego "éthos", escrito "έθος", com "ε" (épsilon, letra grega que soa como um "e" curto e aberto), "costume", e sim no grego "éthos" escrito "ήθος", com "η" (eta, letra grega que soa como um "e" longo e fechado), "habitação". Para os que defendem essa versão, essa segunda forma de "éthos" ("ήθος", com "η") designaria um modo de ser, um caráter habitual, um conjunto de traços e ações que constituem a identidade de quem se é, nos quais se está à vontade, "em casa". Nesse caso, a "ethiké epistéme" significaria não a ciência dos costumes, e sim a ciência do estar em casa, do ser si mesmo, do encontrar-se em sua própria identidade, sem distanciar-se de si nem de seus valores. O fato de que "ética" era escrita "ηθικά", com "η", nos tratados gregos parece corroborar essa versão. Nesse caso, a tradução de "ηθικά" por "moralis" teria sido um erro dos filósofos romanos.

2) Formas de distinção entre ética e moral

Há duas tradições de distinção entre os dois termos. Uma delas é francesa e ganhou fama no Período das Luzes, no qual a célebre "Enciclopédia" de D'Alembert e Diderrot atribuiu a "moral" o sentido de conjunto de normas e valores em que os homens de certa época e lugar acreditam e que realizam mediante suas ações, enquanto a ética seria o conjunto de teorias filosóficas, racionais e reflexivas, sobre as normas e os valores em que os homens deveriam acreditar e que eles deveriam realizar em suas ações. Nessa tradição, a moral tem a ver com as normas e valores que já são seguidos na prática, os quais podem ser habituais, preconceituosos, supersticiosos, cruéis e irracionais de várias maneiras. A ética, ao contrário, é coisa dos filósofos, está no plano da teoria, da especulação, da reflexão e argumentação racional. Em suma: A moral seria aquilo que os homens comuns aceitam e praticam como certo e errado; a ética seria aquilo que os filósofos pensam e propõem como certo e errado. Outra forma de dizer a mesma coisa seria que a ética é uma reflexão sobre a moral; ou ainda que a ética é a moral quando submetida à crítica da razão.

A segunda tradição é alemã e tem origem nas maneiras distintas como Kant e Hegel conceberam (ou pelo menos nas maneiras distintas como geralmente se alega queeles conceberam) a reflexão sobre o bem e o mal. Segundo geralmente se alega, Kant imaginou a moral como um conjunto de normas ditadas pela razão, as quais seriam as mesmas para todos os homens, em todas as épocas e lugares. Já Hegel, contrapondo-se a Kant, chamou o que este propunha de "moralidade" e disse que ela era demasiadamente abstrata, vazia, inflexível e incapaz de motivar o ser humano. Em lugar da "moralidade" kantiana, Hegel propôs-se falar de uma "eticidade", a qual seria, segundo se alega, um conjunto de crenças, valores e ideais que os homens de certa época e certo lugar carregam consigo, porque foram formados neles desde a infância e porque por meio deles se entendem e convivem uns com os outros, formando sua identidade individual e coletiva. Assim, "moralidade" e "eticidade" se tornam rótulos convenientes para duas abordagens da ética: Uma com base em normas racionais válidas para todos (moralidade, Kant) e outra com base nas convicções culturais de cada povo (eticidade, Hegel). Embora essas estejam longe de ser boas caracterizações das concepções éticas de Kant e Hegel, é importante tê-las em vista para compreender de que modo moral e ética vieram a significar duas diferentes abordagens das questões do que se deve fazer.

3) Objeto da ética e da moral

A ética é uma teoria da vida boa para mim. Como assim? É uma teoria que procura responder: De todas as coisas possíveis de serem feitas, vivenciadas e realizadas na vida, qual delas é a que vale mais e realmente a pena? De que modo devo viver a minha vida? Que tipo de pessoa eu sou e que tipo de pessoa eu quero ser? O que espero ter sido e feito na vida, quando estiver velho e olhar para ela retrospectivamente? Todas essas são questões éticas. Responder a elas é traçar para si um propósito, um fim, um "télos" na vida. É definir para onde se quer caminhar e como se pretende chegar lá. Um homem de negócios, um filantropo, um artista, um sacerdote, todos eles são homens que se fizeram as mesmas questões éticas acima, mas deram a elas diferentes respostas. O que importa no fim das contas? Ter riqueza, sucesso e poder? Dedicar-se aos outros e aliviar as dores do mundo? Viver o prazer, o amor e a beleza? Voltar-se para Deus e ter uma vida neste mundo como preparação para uma vida noutro mundo? Essas são algumas das alternativas que se abrem para todo aquele que se pergunta o que pretende fazer de sua vida.

A moral é uma teoria da convivência justa com os outros. Não tem a ver com o que quero para mim, e sim com o respeito que devo aos outros. Não tem a ver com os meus fins, e sim com os limites que todos temos que respeitar, quaisquer que sejam os fins que estejamos perseguindo. A moral responde à seguinte questão: Quais são as condições de uma convivência pacífica, respeitosa e solidária com os demais seres humanos? Ou, o que é o mesmo: Uma vez que todos somos livres e iguais e todos temos direito a perseguir nossos fins éticos, mas sem prejudicar-nos ou causarmos danos uns aos outros, quais são os atos que devo obrigatoriamente praticar e que devo obrigatoriamente evitar? Quais são os deveres dos homens uns em relação aos outros, quaisquer que sejam seus projetos éticos? Nesse caso, o homem de negócios pode querer riquezas, mas não pode consegui-las à custa de apropriação indevida dos bens dos outros. O filantropo pode querer fazer o bem a outrem, mas não pode fazê-lo à custa de eliminar a liberdade do outro de escolher o que é melhor para si. O artista pode querer dedicar-se somente à beleza, mas não pode simplesmente não contribuir para o sustento da prole que tenha ajudado a gerar. O sacerdote pode querer dedicar-se a Deus, mas não pode fazê-lo de forma tal a desprezar ou perseguir os homens que partilham de outras crenças ou que não aderem a crença alguma. Isso é assim porque há, ao lado dos fins éticos, que variam de pessoa para pessoa, deveres morais, que se impõem a todos indistintamente.
Espero dessa maneira haver contribuído para esclarecer e aprofundar a compreensão da distinção entre ética e moral que já havia abordado na postagem anterior.

Parte III - Escrita em 23/08/2012

Para terem um conhecimento introdutório sobre o campo da ética, os livros que recomendo fortemente são os seguintes:

Sandel, Michael. Justiça: O que é fazer a coisa certa. Ed. Civilização Brasileira: Excelente curso, ministrado em Harvard, para leigos e curiosos em geral, sobre as grandes questões da filosofia moral, juntamente com o pensamento de alguns dos grandes filósofos morais na história. A linguagem é muito acessível e os exemplos são muito didáticos e interessantes.

Rachels, James. Os Elementos da Filosofia Moral. Ed. Manole: Excelente manual para compreender o campo da filosofia moral e as várias abordagens e escolas concorrentes, com seus respectivos representantes e argumentos, pontos fortes e fracos. Leitura simples e de fácil compreensão.

Singer, Peter. Ética Prática. Ed. Martins Editora: Ótimo livro para encontrar discussões éticas contemporâneas, como meio-ambiente, aborto, eutanásia, pena de morte, mentira etc., com argumentos provocativos e bem construídos para ambos os lados em cada controvérsia. Ideal para fomentar debates, para ampliar a reflexão e para robustecer os argumentos.

Se quiserem ir além de leituras introdutórias e quiserem conhecer as obras clássicas do campo da ética, uma lista mínima de clássicos teria que incluir os seguintes:

Aristóteles. Ética a Nicômaco (versão recomendada: Ed. EDIPRO): O clássico eterno da disciplina. Aristóteles elabora uma concepção da vida humana como dirigida para a felicidade e da felicidade como consistindo numa vida vivida de modo racional e virtuoso. Aborda virtudes como a temperança, a coragem e a justiça. Fala do papel do prazer e da amizade na vida humana. Todas as abordagens posteriores, inclusive as modernas, precisarão fazer referência a Aristóteles, seja para concordar, seja para discordar. Uma leitura que vai fazer diferença na sua formação e na sua vida.

Kant, Immanuel. Fundamentação da Metafísica dos Costumes (versão recomendada: Ed. Almedina): Outro clássico indispensável. Kant elabora uma ética baseada na ideia de cumprimento do dever motivado exclusivamente pelo dever, independentemente de considerações de felicidade ou de consequências da ação. Fornece as três formulações do seu famosíssimo imperativo categórico e defende uma concepção da liberdade do homem com base na consciência moral. De leitura muito mais árida, mas com conteúdo indispensável. Ideal para ser lido após os livros introdutórios já terem dado uma ideia sobre o pensamento ético de Kant.

Mill, John Stuart. Utilitarismo (versão recomendada: Ed. Martins Fontes): O terceiro nesta trinca de clássicos incontornáveis. Mill desenvolve de forma mais convincente a ideia de Bentham de uma ética baseada no cálculo das consequências positivas e negativas das ações sobre a vida das pessoas. As ideias de responsabilidade, de virtude, de dever e de justiça recebem novas abordagens a partir daquela ideia fundamental. De leitura simples, clara e prazerosa.

78 comentários:

Dan² disse...

Olá, professor,

Não é um comentário, apenas um agradecimento por ter me remetido a esse outro texto seu que com certeza vai ajudar na sistematização da minha pesquisa.

Gostaria de lhe fazer uma pergunta apenas. O trabalho que estou fazendo tem como tema "ciência da computação e ética". Como a ética tem fins nítidamente mais subjetivistas e pouco partilháveis em relação à moral, que no meu entendimento, acaba se relacionando melhor, inclusive, com a legislação a respeito de computação (quem cumpre a legislação é um sujeito moral, faz "o mínimo"), não seria o tema desse trabalho, talvez, mal desenvolvido, querendo verdadeiramente perguntar ao aluno de ciência da computação a relação entre sua área de estudo e a moral? Agora me questiono, inclusive, se em nossas aulas de deontologia jurídica, o tema em questão não seria a ética e sim a moral do advogado...

Obrigado e até mais!

Danilo Cardoso.

André Coelho disse...

Danilo, vamos por partes:

1) A legislação de computação tem caráter ético ou moral? Bom, em princípio eu responderia "moral", porque, provavelmente, diz respeito à questão do que devo ou não devo fazer para manter o respeito pelos direitos dos demais usuários.

2) Seu trabalho versa então sobre "ciência da computação e moral"? Mais ou menos, porque, se há uma legislação a respeito, já não é apenas o "senso de dever", ou "senso de justiça", que levará o sujeito a agir ou deixar de agir dessa ou daquela maneira, mas também o fundado receio de sanção, o que torna as obrigações respectivas jurídicas, e não (apenas) morais.

3) O uso de "ética" na deontologia (jurídica, médica, computacional etc.) está errado? Está. Na medida em que a ética tem a ver com valores e com a concepção de vida boa de cada um (quer dizer, do que vale a pena na vida e de que tipo de vida vale a pena viver), ela não pode se justificar no respeito recíproco nem se expressar num conjunto de regras. A expressão "código de ética" é uma contradição, porque um código é um conjunto de regras comuns, postas para pautar a conduta de indivíduos com diferentes orientações, nada tendo que ver com a ética. Se é código, não é de ética. Se é ética, não poderia ser código, muito menos imposto e comum. Outra contradição é que "deontologia" quer dizer "ciência dos deveres", e "dever" é uma noção nitidamente moral, e não ética.

4) Então por que diabos se usa tanto o termo "ética" para referir-se às deontologias profissonais? É que no Brasil se sofreu a influência do pensamento francês do final do Séc. XIX, segundo o qual "moral" era o conjunto dos costumes vividos numa sociedade (tendo caráter "prático e irrefletido"), enquanto "ética" era a reflexão sobre o bem e as boas ações (tendo caráter "teórico e reflexivo"). Por isso, moral adquiriu o sentido, um tantinho pejorativo até, de moralidade social vigente, quer dizer, o conjunto daquelas crenças e instituições mais ou menos tradicionais, preconceituosas, conservadoras, retrógradas (ou seja, moral = moralismo hipócrita). Daí usar-se o termo ética, que adquire a conotação de algo mais refletido, sofisticado, racional, a que se chega como demonstração de cultura elevada, e não de apego excessivo aos padrões moralistas da sociedade. Mas essa distinção, que tem um fundo aristocrata (a ética pertence aos "espíritos esclarecidos"), classista (a ética é a moral burguesa, intelectual e laica) e discriminatória (a ética dos outros não é ética, é apenas um conjunto de preconceitos que eles abraçam por não serem racionais o bastante para questioná-los), está para lá de ultrapassada e não deveria mais ser sequer mencionada.

A distinção entre ética e moral deve ser feita em conformidade com o que ensinei nessa postagem.

Anônimo disse...

A ética, muitas vezes acaba sendo individualizada, quando alguem lidera um ibópe na mídia, cujas referencias, pode fazer com que determinadas atitudes seja ridícula,causando falsas impressões, onde todos acham, que podem desempenhar o mesmo papel, nesse caso o melhor é a simplicidade, natural e verdadeira, para que possamos expressar um comportamento que tenha, reflexos positivos no pensamento e nos sentimentos de todos, onde a moral dos nossos costumes, prevalece naturalmente, sem traumas ou indignações, obrigado a todos, administrador
Pedro

Anônimo disse...

Olá Professor,
Estou fazendo uma pesquisa sobre como enxergar a Lei Seca através dos olhos da filosofia moral. Gostaria de saber a sua opinião sobre as possíveis implicações das proibições legislativas(como a Lei Seca) e as implicações morais e sociais que existiriam caso não houvessem proibições.Outra pergunta que tenho para fazer é qual a sua opinião sobre o papel da mídia nessa questão moral tão importante e influente na nossa sociedade?
Muito Obrigada
Carla Moraes

André Coelho disse...

Pedro, se entendi bem seu comentário, você mencionou a influência ética de personagens de destaque na mídia, propagando padrões de comportamento, às vezes, segundo a sua avaliação, ridículos, mas que acabam sendo copiados pelas outras pessoas, caso que, ao que me pareceu, você considera um exemplo de "ética individualizada", provavelmente porque se centra no comportamento de um indivíduo em particular e porque transmite os valores (ou a falta de valores) daquele indivíduo. A isso você opõe uma segunda possibilidade, a influência ética que alguém exerce, discreta e silenciosamente, pelo exemplo e nas atitudes do cotidiano, o qual seria, pelo que entendi, uma alternativa melhor e mais saudável. Apenas gostaria que você me explicasse: Por que considera essa segunda possibilidade melhor que a primeira? E por que a forma ou o meio pelo qual se transmitem valores éticos ou se exerce influência ética seria mais importante que o conteúdo dos valores a ser transmitido? Pergunto isso porque, se o importante fossem quais valores são transmitidos, e não como, seria perfeitamente possível que personalidades que "lideram um ibope na mídia" transmitissem valores positivos. Aí poderia ser que, na verdade, sua crítica não fosse ao fato de transmitirem esses valores por meio da mídia, e sim a quem são, atualmente, essas pessoas e a quais são, atualmente, os valores que elas transmitem. Por favor, responda, para dar seqüência a esse diálogo.

André Coelho disse...

Carla, não sou a pessoa mais habilitada para comentar sobre todos os pontos que você pediu, mas gostaria de comentar particularmente sobre um ponto: a questão da alcoolemia zero, quer dizer, a questão de que a nova proibição, diferentemente das anteriores, abre mão da noção de alcoolemia mínima e torna qualquer medida do consumo de álcool por parte do motorista do automóvel passível de punição. Então, vamos às considerações: 1) Se, na questão do consumo de álcool, estivesse envolvido apenas um juízo sobre prejuízos à saúde individual ou sobre perda de autonomia pessoal, seria uma questão exclusivamente ética e escaparia da esfera de interventividade do Estado; 2) contudo, na medida em que se trata do consumo de álcool por parte do motorista de um automóvel e na medida em que as possíveis perdas de orientação espacial e de habilidades e reflexos motores podem ter repercussão e pôr em risco a vida não apenas do próprio motorista, mas daqueles que ele conduz, dos outros motoristas e dos pedestres do entorno, deixa de ser uma questão exclusivamente ética e se torna, também, uma questão moral, pois diz respeito àquelas questões básicas de convivência em condições de respeito recíproco pelos direitos uns dos outros; 3) por esse raciocínio, como na orientação, no reflexo e na habilidade do motorista estão implicados riscos para a vida de todas as pessoas acima referidas, a tolerância de qualquer perda naquelas capacidades seria ao mesmo tempo a tolerância do aumento dos riscos à integridade física e inclusive à vida daquelas pessoas inocentes, não me parece que tal tolerância seja moralmente correta; 4) aqui pode entrar em cena a consideração sobre diferenças individuais: algumas pessoas perdem daquelas capacidades bem mais facilmente, enquanto outras se mostram admiravelmente resistentes e capazes de reflexos bastante agudos mesmo sob influência de doses consideráveis de álcool; 5) contudo, quando se trata de legislação, que deve ser geral e dar tratamento igual às pessoas, é preciso apelar para considerações de natureza estatística, sem descer a pormenoridades individuais, e as melhores pesquisas conhecidas indicam que mesmo pequenos graus de alcoolemia podem ser, para algumas pessoas, decisivos e potencialmente fatais. Por tudo isso, a proibição legal, embora não me agrade pessoalmente nem um pouco, me parece correta e reconheço nela plena legitimidade. Abraços!

Hunter disse...

Olá Professor,

agradeço pelo esclarecimento exposto.

Abraço.

danny disse...

gostaria de saber qual a relação entre autenticidade e ética?

maura disse...

amei muito enteressante...... estão todos de parabéns!!!!!!!!! me ajudaram muito

Luana disse...

nossa, mt bom o texto! eu geralmente não consigo compreender mt bem filosofia, mas esse texto está bem claro e acessível! obrigada :D

Ricardo Antonio Rodrigues disse...

Caro professor André, eu queria discordar da forma como fazes a distinção dos conceitos. Ética tem a relação com o bem e não com o Bom, por que o bom está no âmbito da moral. O bem por ser mais universal que o bom pertence ao campo da ética. ética como ethos ou Ethos do grego tem uma conotação diferente de mores, latim. A forma com que expuseste os conceitos pode dar margem a interpretações equivocadas. Um abraço, Ricardo - rianro@gmail.com.

André Coelho disse...

Caro Ricardo. Em primeiro lugar, quero agradecer pela sua visita ao blog e por seu comentário à postagem. Espero contar com seu retorno, quem sabe para examinar os outros textos e fazer novas manifestações num futuro breve. Em segundo lugar, a respeito da distinção entre ética e moral que está pressuposta no sua objeção, não tenho certeza de que estejamos adotando realmente o mesmo ponto de partida conceitual. Mas, supondo que você, tal como eu, se baseia na tradição kantiana de distinção entre ambos os domínios da filosofia prática, não vejo razão para distinguir entre "bom" e "bem", exceto, talvez, na simples distinção de que se trata da referência ao atributo abstrato (o bem) e à característica concreta (ser bom), mas com praticamente nenhuma diferença semântica ou conceitual relevante entre as duas coisas. Se, no entanto, sem abandonar aquela matriz katiana, você enxergar alguma boa razão para distinguir entre as duas coisas, volte a comentar, explicitando-a, para darmos seguimento a esse debate. Um abraço!

Marcelo disse...

Professor, estou pesquisando a relação que há entre a filosofia moral e o dto penal. Gostaria de saber uma opinião sua. Desde já agradeço e aguardo sua resposta.

André Coelho disse...

Seja mais específico. O que quer dizer? Até que ponto os critérios e as categorias de avaliação da conduta vigentes no direito penal positivo e na ciência do direito penal expressam critérios e categorias morais, é isso?

Tamirys disse...

Oi tenho um trabalho p fazer do seguinte jeito!
Tema:ética(Filosofia Moral)
*O que é?
*Principais pensadores
*Principais questões e problemas

Se puder me ajudar,tenho q entregar no dia 31/08

André Coelho disse...

Tamyris, leia o capítulo "Certo e errado", na obra "O básico da filosofia", de Simon Warburton. Vai ajudá-la com certeza.

Anônimo disse...

Olá porfessor... estou cursando o 1º do ensino médio e estou realizando um trabalho sobre moral... dentro deste tema tenho que falar sobre vários subtemas, tais como: 1- O que é moral? 2 - O anel de Giges (moral heterônoma e autonôma) 3 - ética e moral (diferença)... se você pudesse gostaria que falasse pra mim sobre cada assunto que citei...

Lara Luíza - São José de Piranhas PARAÍBA

André Coelho disse...

Lara, infelizmente não posso comentar com você cada um dos pontos do seu trabalho, até porque seu esforço de pesquisa faz parte dos propósitos pelos quais o professor lhe passou a atividade. Contudo, posso recomendar-lhe consultar os livros:

COMTE-SPONVILLE, André. Apresentação da filosofia.

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia.

WARBURTON, Nigel. O básico da filosofia.

BUNIN, Nicolas; TSUI-JAMES, E. P. Compêndio de filosofia.

Anônimo disse...

eeu goostari de saber mais sobre a moral dentro da filosofia é que estou fazendo um trabalho e presiso disso :/ se poder exclarecer isso pra min ficarei grata.

Bia disse...

ola
estou a fazer um trabalho sobre a moral como problema fundamental da filosofia
podia me dar umas diquas
obridado

Anônimo disse...

ola professor ...estou fazendo um trabalho ..sobre moral e ética .
gostaria de lhe fazer umas perguntas ..

* Em que época surgiu a moral e a ética ..

* qua filosofos foi seu (radai)..

abraços ..

Ivan disse...

Boa Noite Professor

Sou de Potugal e estive a ver o seu texto e gostava de lhe perguntar uma coisa... O que surgiu primeiro? A Moral ou a Ética?

Obrigado,

rafael disse...

professor eu gostaria de receber sua resposta....Gostaria de saber quais as diferenças de ética na radiologia e legislação em outras areas profissionais?

Anônimo disse...

Olá Professor, Meu nome é Adriana e curso o 3° ano do Ensino Médio; eu e meu grupo estmos coletando pontos de vista sobre a Pena de morte para o nosso trabalho de filosofia, se o senhor quiser nos dar o prazer de receber sua opinião sobre o assunto agradeço. mande um email para driika-ah@hotmail.com.
espero atenciosamente resposta.

André Coelho disse...

Adriana, respondi sua questão por e-mail. Quer dizer, mais lancei perguntas do que dei respostas.

juninho-13@hotmail.com disse...

aorei sua conclusao doutor me ajudarah d++

Anônimo disse...

eu estou fazendo um trabalho sobre a moral filosofica ma naum acho nada vc poderia mi ajudar .....seria agradecidoo.....obrigadoXD

Ivana matos disse...

Olá professor...
estou no 2º ano do ensino medio
estamos estudando sobre "Ética e Moral",e o assunto envolve muitos outros,e minha duvida é..
qual seria a diferença entre Ética e Estética?

um abração!!

carlos silva ferreira disse...

sobre a arte de pensar gostei muito a explicação ètica e moral, foi objetiva e clara, é o que está faltando em Brasilia rsrs! Valeu

Anônimo disse...

hola professor!

Estou realizando uma pesquisa de campo, relacionada a Ética Profisional, na área da educação... vizando como ponto crítico os comportamentos e forma de dar aulas de professores... (Ambiente escolar)!
Gostaria de recomendações para encontrar teorias relacionada a essa pesquisa!

desde já agradeço!

everson!

Anônimo disse...

Olá profesor, nos tópicos acima pude sintetizar muitos trechos, que muito me foram úteis, mas gostaria de pedir-lhe que postasse algo sobre as relações entre atos morais, amorais e imorais; desde já agradeço.

Emanuella disse...

óla,professor,estou no primeiro peridio de filosofia,irei fazer um artigo sobre ética e moral na politica,gostaria que senhor me ajudasse,pois estou com problemas,de como fazer esse artigo,então,como posso sistematizar esses assunto na politica.ficarei agradecida.

André Coelho disse...

Emanuella, acho que seria uma boa ideia que seu trabalho passasse pelo menos pelos seguintes cinco momentos da História da Filosofia: O debate entre Sócrates e Trasímaco sobre a natureza da justiça e a felicidade ou infelicidade do injusto no Livro I da República de Platão; a separação radical entre política e ética em "O príncipe", de Maquiavel; a afirmação de Kant, feita em "À Paz Perpétua", de que a sociabilidade legal deveria valer inclusive para um "povo de demônios"; a tese de Weber, defendida em "Economia e Sociedade", da "separação das esferas de validade" e do "politeísmo dos valores", que fariam da política um domínio autônomo e indiferente às questões éticas; e a tese de Hannah Arendt, defendida em "A Condição Humana", de que é preciso retornar à política clássica, ao modelo grego, da esfera pública como espaço de afirmação das virtudes e de auto-realização do homem. Até mais e boa sorte em seu trabalho!

Anônimo disse...

PARABÉNS! ! ! Me ajudou muito, obrigada. Vou fazer uma prova daqui a pouco de filosófia e esse vai ser o assunto 'mor'. Bjs!

Lili Vóvuska disse...

Professor... adorei a forma como se expressa,a clareza dos textos e comentários.
Estou terminando um trabalho sobre "A Moral e a Ética dentro da Filosofia" e até mesmo as perguntas de outros colegas estão me ajudando a concluir o trabalho.
Como diz meu filho - "você é o cara".
Obrigada.

Anônimo disse...

Olá professor... estou no 3º semestre de Direito e tenho que fazer um trabalho de folosofia distinguindo moral e ética. Gostei muito do que o senhor escreveu e gostaria de saber quais filósofos eu posso citar no trabalho e se há mais alguma coisa que eu possa complementar!
Abraço...

Flôr M. disse...

textos assim..fáceis de de rápido entendimento ajundam muito nós estudantes q estamos sempre correndo atrás de coisas práticas e de qualidade...amei^^ parabéns!

Anônimo disse...

Olá professor estou cursando o 3º ano do ensino médio e estou tentando fazer um trabalho com o seguinte tema "A Questão Moral no Iluminismo".
Gostaria que citasse alguns pontos importantes para que eu possa construir uma linha de raciocínio e executar com êxito o meu trabalho.
SUENNE NESHELING

Anônimo disse...

nice share, good

article, very usefull for me...thank you

Anônimo disse...

Olá, professor,

Como estou afim de saber, mais da filosofia, estou lendo os seus ensinamentos, e meio que não entendi, o que você disse sobre moral e ética, então vou dizer um pouco do entendi e vc me me ensine e explique se algo estiver errado.
Pelo que entendi a moral e a ética, sempre vão estar ligadas, por que uma completa a outra. No caso da ética, é uma coisa mais individualista, vc e sua familía é vc com seu próprio eu, pensando no seu futuro, na sua felicidade, no seu caratér, e no caso da moral, é mais vc com sua comunidade ajudando, sendo crítico, moralista!
Obrigado

cleidiane disse...

eu tenho algumas duvidas a respeito de senso moral,consciencia moral,juizo de fato e de valor.Essas questoes tem o mesmo significados?há variros conceitos de filosofia moral,mas queria entender a base desse fundamento? o real sentido desse valor na nossa sociedade?si for possivelmim responda pelo email:cleid_linda@hotmail.com

Anônimo disse...

Olá Professor;
Que acontecimento recente o Senhor poderia ilustrar o seu ponto de vista a cerca da ética e moral.

Um abraço!

Tati

Anônimo disse...

Olá,

A Explicação foi muito clara,vai me ajudar muito das provas,atividades e trabalhos!

Tenho certeza que vou tirar nota boa de FILOSOFIA!

Obrigada e até mais!

Maria Angélica disse...

Olá, sou estudante do 5º ano de Direito, estou pensando em fazer minha monografia sobre ética, moral e sigilo da advocacia, quero trabalhar sobre a ética, o histórico. Mas, ainda não sei bem como começar.

Vcs, tem alguma doutrina, autor, algo para me ajuda ou indicar!

ficarei grata!

meu e-mail é maryangelica_sanf@hotmail.com

karol disse...

olá, professor,
voce escreve muito bem.

mas, eu gostaria de saber se voce nao sabe, e poderia me explicar o pensamento do filosofo michel foucault.

muito obrigada;
tenha uma boa tarde.

André Coelho disse...

O pensamento de Foucault sobre o quê?

Rui Rodrigues disse...

Caro Professor,

Olhando para o meu passado de engenheiro, e tendo visto desfilar ditaduras, comunismos, socialismos, democracias, e lendo a história, não encontrei explicação outra para a falta de atenção que os governos dedicam sistematicamente às sociedades, que não seja a deficiência na moral. Deficiência na moral dos governos, na mancomunação pessoal de governantes, e na falta de representatividade cidadã nesses governos. É histórica a falta de ética e de moral. Gostaria de conhecê-lo melhor.

Um grande abraço
Rui Rodrigues

http://democracydirectvote.no.comunidades.net/

http://www.facebook.com/profile.php?id=100000578604842

montrodal@gmail.com

Anônimo disse...

Pena é que os conceitos apresentados, na grande maioria das vezes, não passam de meros conceitos presos à papéis. Sim, meros conceitos presos à papéis, pois onde está a moral, "o mínimo que se pode fazer, o dever de cada cidadão" quando senadores passam longos dias para decidir se acrescem R$ 5,00 ao salário mínimo do brasileiro que não chega nem à R$ 550,00. Pouco depois, o salário dos Deputados de Rondônia sobe para R$ 20.000,00? Onde ela está quando os Senadores e Deputados filhos da puta estão viajando em seus jatinhos particulares para relaxarem porque estão extressados enquando tem uma porrada de mulheres, homens e crianças dormindo em baixo de viadutos porque o governo não cumpri seu papel?
Onde está a porra da democracia que deveria assegurar os direitos fundamentais dos seres humanos (moradia , saúde, educação)?

Bruna Cabral

André Coelho disse...

Bruna, obrigado por visitar o blog e por deixar um comentário. Entendo a sua revolta e considero-a bastante justa. De fato, o mundo em que vivemos em geral e o mundo da política em especial nos fornecem todos os dias exemplos de violações das mais básicas diretrizes morais. Mas não acho que você deva tirar disso a conclusão de que os conceitos de moral e ética são meramente presos ao papel. Porque na verdade são as noções éticas e morais que nos permitem chegar à conclusão de que há alguma coisa de errado com o mundo e que nos permitem identificar onde as coisas que são deveriam ser diferentes. Precisamos transformar nossa revolta em consciência política e ação concreta e transformadora. Isso é outro assunto, mas apenas prova que sem os conceitos éticos e morais nem saberíamos o que há de errado com o mundo nem saberíamos em que ele deveria ser transformado. Abraço!

Anônimo disse...

Olá, estou fazendo um trabalho, em que eu tenho que relacionar a ética com a moral e a política de acordo com a visão dos seguintes autores: Aristóteles, Karl Marx e Rousseau. Mas os artigos que encontrei aqui na internet estão muito complexos. Será que você poderia expor de forma objetiva as idéias destes autores?

Obrigada.

Anônimo disse...

Olá professor, achei muito interessante o seu blog! Gostaria de saber também um pouco sobre o tema da ética e a filosofia. Não precisa ser muito específico, pois estou fazendo uma pesquisa sobre vários temas relacionados com a ética!
Obrigado!

Ricardo disse...

Olá professor, acho esse assunto muito interessante e gostei da sua abordagem, embora me pareceu um pouco diferente do que já ouvi falar a respeito desta distinção. Entendo a ética como uma norma coletiva, ligada ao ethos da sociedade, dependente de seu contexto histórico. Por exemplo, ser ético na Alemanha de Hitler seria seguir e obedecer as normas ditadas pelo nazismo. Já a moral é sempre de caráter individual, uma adesão consciente e pessoal a princípios, que podem fazer o indivíduo, recusar-se a obedecer à norma ética vigente. Gostaria que esclarecesse isso. Obrigado

Anônimo disse...

ola eu gostaria de saber como é a moral familiar dentro da filosofia?

Anônimo disse...

quais as caracteristicas da moral familiar???

maria cristina disse...

Caro André Coelho, gostaria que me ajudasse a esclarecer melhor o que ocorre na produção filosófica brasileira com respeito às distinções entre moral e ética. Tendo a concordar com a perspectiva que afirma que tanto ética quanto moral enunciam valores, estabelecem um campo normativo, uma ordem do que vale, por oposição ao ser. Porém, os Valores éticos tendem a ser particulares, em geral são experimentados (e, no meu entender, possuem um grau de instrumentalidade e utilitarismo maior). É o caso do prazer (Epicuro), da alegria (Spinoza), do útil (Stuart Mill e Bentham), do poder (Nietzsche) etc. Assim, não existiria ética, mas éticas, todas a serviço da felicidade individual e as finalidades que os indivíduos estabelecem para si. Por outro lado, o conceito de moral afirma valores e princípios racionalizáveis e por isso com maior grau de universalização. Essa é a base de Habermas, Alexy, o próprio Dworkin. Agora, eu pergunto: porque os filósofos-show men brasileiros, como Janine Ribeiro, M. Sérgio Cortella, Ghirardelli, entre outros, insistem em uma visão hegeliana de moral e ética? Por que afirmam só uma perspectiva - a que inverte os conteúdos da moral e da ética?

Anônimo disse...

Perfeito, excelente blog, você fez-me finalmente perceber as diferenças entre a ética e moral, parabens

Anônimo disse...

valores dentro da etica e moral alguem pode me explicar

André Coelho disse...

Reformule sua pergunta com mais precisão, por favor.

Anônimo disse...

dan quem foi o filosofo que dizia esta frase? " o homem
é a medida de todas as coisas''?

André Coelho disse...

Foi Protágoras, filósofo grego da Antiguidade.

GRAZILE SANTOS LIMA disse...

Só queria acrescentar um pouco sobre ética e moral. A moral dependedaquilo que consideramos bom, justo e correto. Os codigos morais são sem duvidas nossos proprios valores são costumes e refere-se ao conjunto de normas que orientam o comportamento humano. A ética é o nosso modo de ser , a maneira de como nos comportamos dentro da sociedade.

André Coelho disse...

Graziele, esta caracterização pode dar a entender que a moral é posta pela sociedade e a ética depende de cada um. Isso não é exatamente verdade. Orientações éticas (ser rico e famoso ou ser íntegro e confiável; viver a vida ao máximo com todos os riscos possíveis ou ser cauteloso e escolher sempre a opção mais segura etc.) variam de pessoa para pessoa e devem ser escolhidas por cada um, isto é verdade; mas em grande parte a formação de nossa identidade ética é uma seleção entre valores que a pano de fundo cultural local coloca à nossa disposição. Os valores disponíveis são criados socialmente, mas a seleção entre eles - pelo menos nas sociedades modernas - é individual.

Já no caso da moral, as normas morais não precisam ser vistas como normas impostas pela sociedade, como se viessem "de fora" do indivíduo e este apenas as recebesse, internalizasse e acatasse. Elas são normas com justificação racional universal e, assim, são normas com as quais todos os indivíduos racionais podem concordar. Ao seguir uma norma com que eu concordo, eu me torno legislador para mim mesmo, sendo, então, autônomo (isto é, governado por uma norma minha), e não heterônomo (isto é, governado por uma norma alheia). Também convém não confundir normas morais com simples costumes e tradições, pois estes nem sempre são racionalmente justificados, podendo ser apenas resíduos sociais de tempos passados. A moral, ao contrário, nunca é simples hábito, é sempre moral racional, capaz de ter força persuasiva.

Athens disse...

Olá professor
obrigada por explicar o assunto, assim eu aprendo mais e eu passo na unidade.

Anônimo disse...

Ola professor, tenho um trabalho de filosofia. que a pergunta é ,Quando ocorreu a separação entre a ética e a politica ? Sera que você poderia me ajudar?

André Coelho disse...

Uma dica: Seria bom dar uma lida nas ideias políticas de Maquiavel.

Anônimo disse...

Saudações, profº! Gostei muito de seu Blogger. Estou fazendo pós graduação e penso produzir meu TCC em ética abordando-a atraves do tempo até o esvaziamento do termo nos dias de hoje. Poderia indicar uma bibliografia dirigida ao tema? Obrigada e um abraço.

André Coelho disse...

Caro anônimo, obrigado pela visita e pelo comentário. Quanto ao tema do seu TCC, uma história completa da ética me parece um tema excessivamente amplo. Talvez você devesse focar mais num aspecto específico, por exemplo, as transformações da ética na modernidade. Também não me pareça que o termo "ética" tenha sofrido um "esvaziamento", muito pelo contrário, ele está hoje mais forte que nunca, o número de discussões, eventos, publicações sobre ética normativa, ética aplicada e bioética são inúmeras. O que talvez você queria dizer é que houve um esvaziamento da relevância e da força motivacional da ética nas relações cotidianas, um processo que tem a ver com a ascensão do individualismo e com a estruturação do sistema capitalista e do Estado de direito liberal.

Para ter uma compreensão introdutória sobre o campo da ética, recomendo ler os seguintes livros:

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3648554/justica-o-que-e-fazer-a-coisa-certa/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/197220/os-elementos-da-filosofia-moral-4-ed-2006/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/350360/etica-pratica-col-biblioteca-universal/

Se você estiver realmente interessado na história da ética como um todo, os livros que recomendo são os seguintes:

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3529473/historia-critica-da-filosofia-moral/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/154708/historia-argumentada-da-filosofia-moral-e-politica-col-ideias-12/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/192772/historia-da-filosofia-moral/

e

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/138986/dicionario-de-etica-e-filosofia-moral-2-vols/

Agora, se você estiver mais interessado nas modificações que os processos éticos do dia-a-dia sofreram na modernidade, você talvez queira fazer algumas leituras sobre modernidade:

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/457475/modernidade-liquida/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3068429/sociedade-de-risco-rumo-a-uma-outra-modernidade/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/363844/as-consequencias-da-modernidade/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/147818/modernidade-pluralismo-e-crise-de-sentido-a-orientacao-do-homem-moderno/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/155666/amor-liquido-sobre-a-fragilidade-dos-lacos-humanos/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/2578500/vida-para-consumo-a-transformacao-das-pessoas-em-mercadoria/

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3661438/a-etica-e-possivel-num-mundo-de-consumidores-nova-ortografia/

Espero que te ajudem. Abraço!

Eduardo Spitale Brings disse...

Muito obrigado! Seu texto foi simplesmente excelente, me tirou diversas dúvidas! ;)

André Coelho disse...

Obrigado, Eduardo. Volte sempre ao blog.

Anônimo disse...

valeu salvou a minha vida na prova depois falo quanto tirei.assinado:daiane g. da r.6 ano 5 serie.

André Coelho disse...

Estou ansioso para saber quanto você tirou. Volte sempre ao blog. ;-)

Eliane - Manaus disse...

Valeu a explicação! Me ajudou bastante!Obrigada!

Anônimo disse...

Olá!

Se nos questionar-mos a nós próprios se um homem vivesse isolado, teria a necessidade da moral? A nossa resposta seria não pois a moral é um conjunto de regras que asseguram condições justas... Mas se partirmos da comparação entre o ser humano que estava isolado e o meio onde vivia? Estaria correcto partir deste principio? Qual seria a sua resposta para a questão inicial?

André Coelho disse...

Suponhamos que a moral diga respeito a deveres. Poderíamos ter quatro tipo de deveres: a) cada um para consigo; b) cada um para com os outros; c) cada um para com o meio; d) cada um para com Deus (supondo que ele exista). Sendo assim, duas questões precisam ser respondidas: A primeira é se a moral cobre apenas os deveres do tipo b. Se a resposta for positiva, então, um homem sozinho não teria deveres morais. Pelo menos não deveres morais imediatos, porque poderíamos pensar em deveres para com outros possivelmente existentes ou que venham a existir apenas no futuro. Agora, se você considerar que a moral abarca algum, alguns ou mesmo todos os tipos de deveres acima listados, então, um homem sozinho só estaria isento dos deveres do tipo b, mas ainda estaria obrigado pelos demais.

Anônimo disse...

Otimo material! Esclarecedor e nada pedante!

Guilherme disse...

Olá Professor, realmente um otimo artigo, está de parabens!

um abraço

Guilherme Previati

Tiago disse...

Professor,

De início parabenizo-o pela excelente aula que nos proporcionou com esse post. A minha dúvida reside na possibilidade desse acordo racional e intersubjetivo do que é ou não moralmente correto.

Ora, as produções filosóficas da Escola de Frankfurt e dos pós-modernistas franceses (Lyotard, Derrida, Foucault, Deleuze) tiveram por fim demonstrar a irracionalidade das "grandes metanarrativas" iluministas. A crítica da razão moderna e sua pretensão de saber absoluto e universal, que teve início em Nietzsche e Marx, culminou, a meu ver, numa total descrença quanto à possibilidade de justificação do projeto filosófico da modernidade.

A minha pergunta é: o que fazemos a partir daqui? A modernidade realmente se esgotou e agora temos que abraçar algum tipo de relativismo ou contextualismo moral? Como podemos fundamentar racionalmente nossas pretensões morais em um ambiente pós-giro hermenêutico-linguístico?

A proposta filosófica de Habermas ainda caminha no sentido de um "projeto inacabado de modernidade" e considera a razão comunicativa como uma saída para as críticas pós-modernistas. Porém, parece-me bastante contraintuitivo e nem um pouco convincente falar-se em "leves transcendências" e "acordos intersubjetivos com vistas a entendimentos mútuos" em pleno século XXI. Enfim, com a ressalva de alguns neokantianos (Habermas, Dworkin, Rawls), a crítica pós-modernista revela-se paulatinamente inevitável e contundente. Quais as considerações o senhor tem sobre o tema?

Obrigado!

Anônimo disse...

Muito obrigada!Parabéns pelo trabalho!